Metodologia Órbita / 2026
Tudo o que a Órbita mostra sai de uma pergunta só: quem publicou o quê, e quando.
Não lemos o corpo das matérias nem pedimos a nenhuma inteligência artificial que interprete o noticiário. Partimos das manchetes que os próprios veículos publicam e fazemos contas sobre elas. Esta página explica cada conta, diz por que ela é feita daquele jeito e mostra onde ela deixa de valer.
01
De onde vêm as manchetes
Acompanhamos 40 veículos brasileiros, de todos os espectros. As manchetes chegam pelos canais que os próprios veículos publicam para distribuição — feeds e mapas de notícias — e guardamos só o título, um resumo curto, o horário e o endereço. O texto fica no site de quem o escreveu, e cada manchete leva até lá.
O site olha para o noticiário político. Um jogo de futebol coberto por doze veículos é notícia legítima, mas não é o tipo de cobertura que a Órbita existe para comparar, e fica de fora.
A posição de cada veículo na escala de 0 a 5 é uma leitura editorial nossa, assinada e aberta à contestação. Ela está explicada em Quem somos.
A página inicial mostra as últimas 48 horas. Cada fato, porém, ganha um endereço permanente, que continua valendo — e acumulando a cobertura inteira — depois que o assunto sai dela.
02
Como sabemos que duas manchetes falam do mesmo fato
Comparamos as palavras das manchetes publicadas mais ou menos ao mesmo tempo. Quando elas dividem o bastante do que dizem, viram um único fato — o que o site chama de evento.
A parte difícil é não juntar demais. O nome de um presidente aparece em centenas de manchetes que tratam de coisas diferentes, e por isso um nome de pessoa, sozinho, nunca basta para duas matérias serem o mesmo fato. Listas de serviço, como a relação de candidatos de uma eleição, ficam de fora pelo mesmo motivo: fariam ponte entre fatos sem relação nenhuma.
Para haver comparação, um fato precisa ter sido coberto por mais de um veículo. O nome de cada assunto é tirado das próprias manchetes, automaticamente — às vezes sai imperfeito, que é o preço de não escolhermos à mão o título de cada fato.
O agrupamento é refeito várias vezes por hora. Um fato pode ganhar veículos, ou se juntar a outro, enquanto a notícia se desenvolve.
03
Histórias: quando vários fatos são o mesmo assunto
Um fato é um momento: a comissão votou, o relator entregou o parecer. Uma história é o que liga esses momentos — a proposta tramitando no Congresso ao longo de semanas.
Ligamos os momentos pelo assunto, e nunca por uma pessoa. Com o nome de um político servindo de elo, a "história" viraria todo o noticiário sobre ele, e deixaria de contar qualquer coisa.
Cada momento continua com a própria página. No mapa da cobertura cruzada, a história aparece como uma bolha com um anel, que abre para mostrar os momentos que ela reúne.
04
A cor e o tamanho de cada fato
A cor diz de que parte do espectro veio a cobertura, e ela conta veículos, não matérias: dez textos da mesma redação continuam sendo uma redação só.
Os veículos de centro pesam metade nessa conta. São muitos e publicam muito; contados por inteiro, puxariam todas as cores para o mesmo tom — e o que colore tudo igual não distingue nada.
O tamanho, esse, soma tudo: matérias e veículos. Um fato grande é o que muita gente cobriu muitas vezes.
05
O índice de divergência
Mede o quanto as manchetes de um mesmo fato usam palavras diferentes: 0% quando todos escreveram com as mesmas palavras, 100% quando quase nenhuma se repete. Comparamos as manchetes duas a duas e tiramos a média, para nenhum veículo sozinho decidir o resultado.
Não é nota de qualidade. Manchete igual costuma ser texto de agência de notícias republicado; manchete diferente não prova independência — pode ser só outro jeito de dizer a mesma coisa.
Com uma manchete só não há com o que comparar, e o índice simplesmente não aparece. Mostrar "0%" ali transformaria falta de dado em conclusão.
06
O silêncio
Registramos quando um espectro inteiro não publicou nada sobre um fato que o outro cobriu com 3 ou mais veículos. O mínimo existe porque um ou dois veículos de um espectro não provam que o outro se calou — pode ser apenas um fato pequeno.
O registro compara esquerda e direita. Um fato que só o centro cobriu não é silêncio de ninguém.
Veículo que publica pouco continua contando: deixar um assunto de fora é escolha, mesmo numa redação pequena. Por isso a página do fato mostra, ao lado do silêncio, quanto aquele espectro publicou no total — para você pesar a ausência com o volume em mãos.
Não é acusação de má-fé. Pauta é escolha, e toda redação faz a sua. O silêncio é o registro de que a escolha existiu.
07
As palavras de cada espectro
Em fatos que esquerda e direita noticiaram, comparamos as palavras que cada espectro usou. Assim o assunto fica constante, e a diferença que sobra é de como cada um escolheu contar.
A comparação só aparece quando a diferença é maior do que o acaso produziria. Para saber isso, trocamos ao acaso, muitas vezes, quem é esquerda e quem é direita entre as mesmas manchetes; só mostramos as palavras cuja diferença real supera a dessas trocas.
São necessárias pelo menos 5 manchetes de cada espectro. Abaixo disso a página diz que não dá para comparar, em vez de exibir ruído com cara de descoberta. E, na maioria dos fatos, os dois espectros escrevem parecido — o que também é um resultado, e a página diz quando é o caso.
08
A linha do tempo de um fato
Cada matéria entra pelo horário que o próprio veículo informou. Daí sai quem abriu a cobertura, quando cada espectro chegou, e onde houve rajada ou intervalo.
O horário é do veículo, e não conferido por nós. Por isso diferenças pequenas não são lidas como demora — são a folga normal entre publicar a matéria e o aviso dela chegar. E matéria sem horário confiável fica de fora da linha, em vez de entrar com uma hora inventada.
09
O mapa de assuntos e a Cruzada
No desenho padrão da cobertura cruzada, a posição das bolhas não significa nada: elas são acomodadas da maior para a menor, e o que se lê é tamanho e cor.
No botão Cruzada, a posição passa a significar. Da esquerda para a direita vai o índice de divergência; de baixo para cima, quantos veículos cobriram o fato, em faixas.
As bolhas não podem se esconder umas atrás das outras — uma bolha escondida não dá para ler nem clicar —, então cada uma é empurrada um pouco do ponto exato até caber. A posição é aproximada, e a página informa quanto as bolhas tiveram de se deslocar. Quando os assuntos se amontoam demais para caber sem esconder nenhum, a Cruzada não é oferecida naquela janela.
10
O raio-x dos veículos
Aqui o assunto sai de cena e entra o veículo, sobre todo o acervo — e não só as últimas 48 horas. Comportamento de redação não cabe em dois dias.
Furou é em quantos dos fatos que cobriu o veículo publicou antes de todos os outros. A conta é sobre o que ele cobriu, para não punir quem cobre pouco e bem. Quando dois publicam no mesmo segundo, desempatamos sempre do mesmo jeito, para a tabela não trocar de campeão sozinha.
Distância do consenso é o quanto as manchetes do veículo diferem das dos outros no mesmo fato. Não diz se o veículo é bom nem de que lado ele está; diz se a manchete é dele. Quem publica o texto que a agência mandou fica colado nos outros.
Só entram veículos com pelo menos 50 fatos cobertos — abaixo disso, uma porcentagem não significa nada —, e os que ficam de fora são contados na própria página. As agências de notícias aparecem marcadas: elas publicam para outros veículos, e chegar primeiro é o normal delas.
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A evolução dos assuntos
Mostra os assuntos que mais ganharam veículos de um dia para o outro — o que está esquentando, e não o que já é grande. Momentos diferentes da mesma história aparecem juntos, uma vez só.
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O termômetro da polarização
O termômetro no topo da página inicial mede o quão dividido está o noticiário inteiro das últimas 48 horas — todos os fatos, e não um.
Ele junta duas medidas. A primeira é quantos dos fatos que dá para comparar só um lado noticiou, pela mesma regra do silêncio. A segunda é o quanto as manchetes de um mesmo fato usam palavras diferentes, pelo índice de divergência, tomado no meio de todos os fatos.
Número sozinho não diz se está quente ou frio. Por isso cada medida é comparada com as medições dos 30 dias anteriores, feitas a cada 6 horas, e o termômetro mostra onde o momento cai entre elas: mais calmo, dentro do normal ou mais dividido que o normal.
Há um cuidado no meio. Fato recém-surgido costuma ter um lado só, porque o outro ainda não teve tempo de cobrir. Para não comparar o momento de agora, cheio de fatos novos, com dias antigos já completos, cada medição antiga é refeita só com o que já tinha sido publicado naquele instante — exatamente o que o site mostrava na hora.
A quantidade de fatos não entra na conta: dia de muito noticiário não é dia dividido. Ela aparece ao lado, como a base sobre a qual a medida foi feita.
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A edição da semana
Toda semana ganha uma edição com endereço próprio. Ela reúne os fatos que mais movimentaram a cobertura — medidos por quantos veículos publicaram, a medida mais simples e mais difícil de contestar — e o que cada espectro deixou de noticiar.
Uma história aparece uma vez só, para a edição mostrar a semana, e não um assunto repetido várias vezes.
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O Radar da Manhã
Todo dia às 7h o Radar da Manhã resume as 24 horas anteriores em três achados, e fica guardado com a data daquele dia — quem abre às 8h e quem abre às 22h lê o mesmo Radar.
As manchetes que mais se afastaram são as do fato em que as redações escreveram mais diferente umas das outras, pelo índice de divergência. Só concorrem fatos com pelo menos 8 veículos e com os três espectros: em fato pequeno, com poucas manchetes, o índice sobe por acaso, e sem um dos espectros não há manchete dele para mostrar. Das manchetes do fato, aparece uma de cada espectro — a que mais se parece com o conjunto. O índice mede diferença entre redações, e não briga entre esquerda e direita: por isso o Radar não diz que o fato "dividiu".
O silêncio é o de cada lado, e não só o maior: a esquerda tem menos veículos no painel e publica menos, e o maior silêncio do dia seria quase sempre o dela. Vale a mesma regra de toda a Órbita — três ou mais veículos de um lado e nenhum do outro —, e não conta como calado o lado que publicou matéria parecida fora do fato. Os dois números ficam à vista: quantos noticiaram, e quantos do lado calado existem no painel.
O termômetro é a faixa da medição mais recente, a mesma do topo da página inicial.
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Onde as contas param de valer
Em vários pontos o site escolhe não afirmar nada: o índice sem par de manchetes, a comparação de palavras sem base, o veículo com poucos fatos, a Cruzada que não cabe, o termômetro sem histórico bastante para servir de régua. Dizer "não sabemos" é mais honesto que transformar falta de dado em conclusão.
Os números descrevem palavras e horários, não a verdade. Nada aqui checa fatos, mede o viés de uma matéria específica ou julga a intenção de quem escreveu.
Os ajustes finos — os limites exatos que decidem, por exemplo, quando duas manchetes são o mesmo fato — fazem parte do produto e não estão detalhados aqui. Os princípios que eles seguem, estão todos acima.
Erros acontecem: no agrupamento, no nome de um assunto, na classificação de um veículo. Se encontrar um, escreva para orbitanoticiascontato@gmail.com.